27 de ago de 2008

Rodin


Outro dia fui numa exposição do Rodin, no Museo de Arte Decorativo de Buenos Aires. Fui para lá toda me achando, porque talvez esta pudesse ser a única oportunidade da minha vida de ver uma exposição do Rodin - ainda mais tão perto de casa. Ao chegar, quase fiquei decepcionada. De fato eu não sabia o que esperar, mas não esperava esculturas tão pequenas, com cerca de 50cm, sem nenhuma proteção e completamente livres para fotografar. Eu, como uma boa submissa sulamericana, aprendi que não se pode fotografar nada em nenhum museu, com ou sem flash, porque isso definitivamente estraga a obra em curto e/ou longo prazo. Mas aqui em Buenos Aires pode, então eu fui aproveitar.

Ao passar pelas obras me dei conta como nós, sulamericanos, temos a mania de engrandecer as coisas. Rodin era só Rodin, um cara bom no que sabia fazer, nada além disso. Seu trabalho é bom e é simples. Talvez eu tivesse crescido ouvindo "oooohhh meu Deus, um Rodin!" e, quando vi, era um Rodin. E vi O Pensador, seu famoso trabalho (que eu nem lembrava que era dele); talvez fosse uma das muitas réplicas que esses artistas costumam fazer durante os processos de seus estudos, pois estava muito pequeno para o meu gosto, mas ainda assim vi O Pensador. E ele parecia pensar, tal qual eu o fazia enquanto o olhava. Então volto a perguntar: por que nós temos essa mania de engrandecer as coisas, de achar que nós (nós mesmos, nossa cidade, nosso país,etc) não merece receber algo tão bom ou tão grande assim? Por que esta postura de "é bom demais para mim"?

Nós podemos, nós merecemos e devemos agradecer por oportunidades assim!

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